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27 de abril de 2015

Exercícios

Treinamento de força com oclusão vascular: O que é e para quem serve?

Criado no Japão a partir de iniciativas empíricas de um entusiasta, o treinamento de força associado à oclusão vascular tem ganhado respaldo científico nos últimos anos. Contudo, questões importantes ainda são desconhecidas pela maioria. Começaremos uma discussão sobre estes pontos no post de hoje.


A esta altura, o leitor assíduo do Ciênciainforma já está cansado de saber dos benefícios do treinamento de força (modalidade de exercício comumente, mas não exclusivamente, reconhecida pelos exercícios de musculação), seja para a saúde ou para o desempenho. Pois bem, uma das variáveis mais importantes do treinamento de força é a intensidade. Esta, em exercícios como os de musculação, é geralmente expressa em função da quantidade máxima de peso que um indivíduo consegue levantar uma única vez (conhecido como força máxima, ou 1RM). A literatura científica parece concordar que intensidade elevadas (>60%, com os melhores resultados sendo observados em torno de 75-85% 1RM) devem ser utilizadas de forma a se estimular, de maneira ótima, os ganhos de força e massa muscular.


Na prática clínica, entretanto, o uso de intensidades como as mencionadas acima nem sempre são viáveis ou mesmo recomendadas. Condições como as caracterizadas por atrofia ou fraqueza muscular como reabilitação de lesões ou cirurgias, doenças neuromusculares ou crônico-degenerativas, síndrome da fragilidade entre outros, são bons exemplos de situações que se beneficiariam, de maneira importante, do aumento da força e massa muscular, mas que apresentam limitação ao uso de cargas elevadas. 


- “Ok, mas e o que a tal oclusão vascular tem a ver com isso tudo?”, perguntariam alguns...


Pois bem, mais ou menos no meio da década de 90 alguns autores propuseram que o acúmulo de metabólitos e, consequentemente, a fadiga eram fatores importantes para o aumento de força e massa muscular. Esta proposição foi confirmada mais tarde por pesquisadores japoneses que utilizaram torniquetes pressurizados para restringir parcialmente o fluxo sanguíneo da musculatura exercitada em intensidades mais baixas que a recomendação original (à semelhança da técnica de Kaatsu training – desenvolvida no Japão anos antes) e observaram aumentos significantes de força. Vários estudos subsequentes foram conduzidos e confirmaram que o treinamento de força de baixa intensidade (~20-30% 1RM), quando associado à oclusão vascular, é capaz de produzir hipertrofia e aumento de força similares àqueles observados com o treinamento de força convencional de alta intensidade.


-“Mas como isso é possível se são necessárias intensidades elevadas de exercício para se obter estes efeitos?”, perguntariam outros...


Vejam, é intuitivo pensarmos que ao utilizarmos cargas elevadas (~80% 1RM), uma maior porção da musculatura exercitada será posta em funcionamento quando compararmos a demanda imposta por cargas mais baixas (~20% 1RM), correto? O fato é que neste modelo de treino, a restrição do fluxo sanguíneo induz um maior estrese metabólico, gerando um quadro de fadiga local, o que leva, em última análise, à necessidade de se recrutar uma maior porção da musculatura em exercício, apesar da carga reduzida. 


Desta forma, esta tem sido considerada uma alternativa interessante para populações que, por alguma limitação, não podem fazer uso de cargas elevadas, mas que precisam aumentar a força e massa muscular. De fato, o nosso grupo – que guarda grande interesse nos efeitos terapêuticos do exercício e nutrição em doenças crônico-degenerativas – demonstrou a eficácia deste método em algumas doenças como a osteoartrite e miosites além de populações idosas.


Em posts futuros discutiremos particularidades deste método de treinamento, não percam.


Até breve,


Prof. Dr. Hamilton Roschel - Blog Ciência Informa


www.cienciainforma.com.br



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