Home Nutrição Exercícios Saúde Quem Somos A que viemos Contato

25 de abril de 2016

Exercícios

“Disseram que eu não posso fazer atividade física...”

Que a atividade física traz inúmeros benefícios à saúde ninguém mais duvida. No entanto, é muito comum as pessoas comentarem que, por algum motivo, foram impedidas de fazer atividade física. Será que existem tantos fatores assim que impedem uma pessoa de ser fisicamente ativa?


“Poxa, até gostaria de realizar uma atividade física, pena que disseram que não posso”. Imagino que muitos de vocês já tenham se deparado com esse argumento. Os impedimentos são inúmeros: “sou muito idoso”, “sou doente”, “tenho uma unha encravada”, “tenho sopro no coração”, “sou muito frágil”, e por aí vai...

A verdade é que os fatores que limitam a prática de atividade física são, via de regra, pontuais. Por exemplo, quando uma pessoa tem febre alta, indicativos de baixa imunidade, anemia ou desnutrição, ou sofre de alguma doença aguda muito debilitante, a prática de atividade física, sobretudo vigorosa, é contraindicada. Isso não significa dizer que a contraindicação de atividade física valha para a vida inteira; tão-logo a pessoa se recupere do quadro, um estilo de vida ativo pode ser novamente retomado.

Na prática, os impeditivos para a prática de atividade física são, na verdade, fatores que deveriam estimular um comportamento menos sedentário. Por exemplo, um idoso frágil com dificuldades de locomoção deveria realizar atividade física, ao invés de evitá-la, pois sabidamente a inatividade física favorece o agravamento da condição de fragilidade.

Essa lógica se aplica a casos mais extremos também. Hoje em dia, sabemos que pessoas com câncer, doenças cardíacas, reumáticas, psiquiátricas e metabólicas se beneficiam de um estilo de vida mais ativo. A prática de atividade física não só previne uma variedade de doenças crônicas, como também serve de tratamento para elas!  Infelizmente, é comum profissionais da saúde estimularem um estilo de vida mais sedentário, por receio de agravar a doença de seus pacientes. Evidentemente, familiares e amigos, pelo mesmo motivo, também desencorajam pessoas mais frágeis a realizarem atividade física. Basta o vovô decidir caminhar poucos metros à padaria para que um (bem-intencionado) pelotão entre em ação para impedir essa “loucura”, não é mesmo?

Nossos recentes estudos na Faculdade de Medicina da USP têm demonstrado que, como imaginávamos, os pacientes com doenças reumáticas, independentemente da faixa etária, apresentam um índice de inatividade física bem superior ao da população geral. Curiosamente, mesmo os pacientes com a doença muito bem controlada (chamados de remissivos), que teoricamente não teriam motivo para serem sedentários, também se movimentam menos. O grande problema disso é que pacientes com doenças reumáticas que são comparados a pessoas saudáveis com o mesmo nível de inatividade física possuem índices mais baixos de capacidade física e qualidade de vida. Isso nos sugere que o preço da inatividade física pode ser mais caro para pessoas com doenças crônicas, as quais já possuem uma “reserva funcional” menor, resultante dos danos acumulados da doença e dos medicamentos.  

    É claro que a prática de atividade física realizada por um paciente com alguma doença crônica ou um alto grau de fragilidade precisa ser cuidadosamente orientada. Exames chamados de “pré-participação”, que envolvem avaliações clínicas, testes cardiovasculares ao esforço e exames laboratoriais, são necessários para uma prática segura, que respeite as limitações de cada pessoa. Entretanto, é necessário ressaltar que os casos de contraindicação absoluta e irreversível para a prática de atividade física são muito mais raros do que se imagina. Na imensa maioria dos casos, impedimentos para a prática de atividade física são resultados de uma tentativa de “superproteger” a pessoa, expondo-a, paradoxalmente, a uma maior deterioração da saúde geral. Portanto, antes de contraindicar prática de atividade física à alguma pessoa, investigue profundamente se há motivos para tal conduta.

Até a próxima!

Bruno Gualano - Blog Ciência InForma

www.cienciainforma.com.br







Comentários

Veja também


- Lactato, o vilão que se tornou um possível aliado do desempenho?
- Bioimpedância é um bom método para avaliar composicão corporal?
- CrossFit: os riscos compensam os benefícios?
- Crossfit aumenta o risco de lesão?
- Tem alguma doença reumática? Então faça exercício físico!
- Esporte não é “saúde”...mas será que é “doença”?
- Como o exercício físico previne câncer de mama?
- Sobre a tara em se reduzir o dano muscular induzido pelo exercício...
- HIIT QUEIMA MAIS GORDURA DO QUE EXERCÍCIOS AERÓBIOS... OU NÃO!
- Exercícios aeróbios não matam, não engordam, e não causam diabetes
- Dano muscular e hipertrofia: será o fim do "no pain, no gain"?
- Quer dizer que a atividade física não funciona para reduzir o peso corporal? Hora de colocar alguns pingos nos “is”...
- O mito das dietas low-carb e o papel da insulina no emagrecimento
- A atividade física ideal!
- “Disseram que eu não posso fazer atividade física...”
- Quando devo aumentar a carga de treinamento?
- Esclarecimentos sobre “exercício aeróbio engorda” e “exercício aeróbio não emagrece”.
- Treinar em jejum: bom, ruim ou depende?
- Por que entramos em fadiga?
- Quanto maior a carga, maior o ganho de massa muscular...certo?! Ou não?
- HIIT - Treino Intervalado de Alta Intensidade, parte 2.
- HIIT - Treino Intervalado de Alta Intensidade
- Lactato: de causador da fadiga a aliado do desempenho.
- Queimar gordura somente após 20 minutos de aeróbio?
- Overtraining: O que, de fato, é isso?
- Percentual ou distribuição de gordura corporal: qual o melhor preditor de risco cardiovascular?
- Resposta hormonal ao exercício de força e aumento de massa muscular: Qual a relação entre eles?
- Cortar peso é prejudicial ao lutador?
- Treinamento de força com oclusão vascular: O que é e para quem serve?
- Quem faz musculação fica baixinho?
- Quando um gêmeo se exercita e o outro … não.
- Testes de DNA para detecção de talentos no esporte: cedo demais para ser verdade?
- 2 mitos sobre o uso “seguro” de esteroides anabolizantes
- CrossFit: os riscos compensam os benefícios?
- Treinamento intervalado para crianças: uma alternativa possível
- Ciência InForma responde: É importante variar os exercícios no treino de musculação?
- “Eu até tento, mas não “respondo” ao exercício...”
- Exercício em jejum: Fazer ou não fazer, eis a questão (Parte 3)
- Exercício em jejum: Fazer ou não fazer, eis a questão (Parte 2)
- O fisiculturismo como um estilo de vida saudável?
- Exercício em jejum: Fazer ou não fazer, eis a questão (Parte 1)
- Quando chega a "conta" do sedentarismo?
- Exercício sem dieta emagrece?
- Treinamento de força para todos
- Lactato: amigo ou vilão do desempenho?
- Sobre o milagre das pílulas do exercício



Busca

Receba Atualizações

Envia sua sugestão de temas


Nossos Colaboradores

Prof. Bruno Gualano, PhD
Prof. Associado da Universidade de São Paulo

Profa. Desire Coelho, PhD
Nutricionista Clínica e Esportiva

Profa. Fabiana Benatti, PhD
Pós-Doutora na Universidade de São Paulo (USP)

Prof. Guilherme Artioli, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo

Prof. Hamilton Roschel, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo