Home Nutrição Exercícios Saúde Quem Somos A que viemos Contato

11 de abril de 2016

Exercícios

Tem alguma doença reumática? Então faça exercício físico!

Por muitos anos o exercício físico foi estritamente proibido a pacientes com doenças reumáticas, sobretudo as inflamatórias (e.g., artrite reumatoide, lúpus, miopatias inflamatórias, espondilites, etc.). Isso, pois acreditava-se que o exercício pudesse exacerbar o processo inflamatório e, assim, piorar a doença. Contudo, hoje sabemos que o exercício não apenas é seguro, mas também extremamente benéfico, levando à melhora de diversos sintomas clínicos, da qualidade de vida e do risco cardiovascular destes pacientes. Para saber mais, não perca o post de hoje!


Artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, miopatias inflamatórias e espondilite anquilosante são apenas algumas das muitas doenças reumáticas inflamatórias que existem. Essas doenças, infelizmente, não têm cura e cada uma delas é caracterizada por um quadro clínico específico. Contudo, todas elas apresentam uma série de sintomas clínicos em comum que parecem decorrer do quadro inflamatório sistêmico e do uso crônico de medicamentos: fadiga exacerbada, baixa capacidade física, perda de massa muscular e desordens metabólicas, como resistência à insulina (isto é, problemas no metabolismo do açúcar que predispõe ao diabetes e a doenças cardiovasculares) e dislipidemias (isto é, alteração no metabolismo do colesterol que também predispõe a doenças cardiovasculares). Não é por acaso que as doenças do coração representam a maior causa de mortalidade em pacientes com essas doenças.

Para piorar este quadro, a inatividade física parece ser mais prevalente nesses pacientes. É possível que o medo de muitos médicos em prescrever atividade física associado à maior sensação de fadiga e a menor capacidade física leve estes pacientes ao sedentarismo. O sedentarismo, por sua vez, leva à piora de todos aqueles sintomas clínicos e do risco cardiovascular, em um círculo vicioso.  

Diante disso, qual parece ser a solução? Sim, essa mesma na qual você está pensando: fazer exercício físico!

Então você me pergunta: mas ele não pode levar ao aumento da inflamação? E eu te respondo com um ressonante não!

São muitos, muitos os estudos que demonstram a segurança (ou seja, nenhuma alteração da atividade da doença) do exercício físico moderado, aeróbio e de força, para pacientes com doenças reumáticas inflamatórias.  Há ainda muitos estudos que demonstram a segurança com o exercício físico vigoroso, particularmente na artrite reumatoide. Isso quer dizer que o exercício não exacerba a inflamação nesses pacientes. Muito pelo contrário, ele pode até atenuar o quadro inflamatório. Em um estudo com pacientes com lúpus eritematoso sistêmico em remissão (ou seja, com a doença inativa), nosso grupo mostrou que 12 semanas de treinamento aeróbio moderado em esteira levaram à diminuição de marcadores sanguineos inflamatórios. Outros estudos mostram, ainda, melhora na inflamação das articulações em pacientes com artrite reumatoide.

Além deste potencial efeito anti-inflamatório, o exercício físico impacta de forma expressiva todos aqueles sintomas clínicos, ao levar à preservação da massa muscular, aumento da capacidade física, diminuição da fadiga, e melhora do metabolismo do açúcar e das gorduras no sangue. Essas melhoras, além de levarem ao aumento da qualidade de vida, levam à redução do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Lembra que eu disse no início que essas doenças são as que mais matam esses pacientes? Pois então, diante disso, fica muito claro que o exercício é um grandissíssimo aliado no tratamento dessas doenças. Logo, se você tem ou conhece alguém que tem uma dessas doenças, a recomendação é clara: procure um profissional qualificado e faça atividade física!

Até a próxima!

Fabiana Benatti - Blog Ciência InForma

www.cienciainforma.com.br


Para saber mais:

Benatti FB, Pedersen BK. Exercise-induced myokines and their anti-inflammatory effects: focus on rheumatic diseases. Nat Rev Rheumatol. 2015; 11(2):86-97.

Perandini LA, de Sá-Pinto AL, Roschel H, Benatti FB, Lima FR, Bonfá E, Gualano B. Exercise as a therapeutic tool to counteract inflammation and clinical symptoms in autoimmune rheumatic diseases. Autoimmun Rev. 2012 Dec;12(2):218-24.

Perandini LA, Sales-de-Oliveira D, Mello SB, Camara NO, Benatti FB, Lima FR, Borba E, Bonfa E, Sá-Pinto AL, Roschel H, Gualano B. Exercise training can attenuate the inflammatory milieu in women with systemic lupus erythematosus. J Appl Physiol (1985), v. 117, p. 639-647, 2014.







Comentários

Veja também


- CrossFit: os riscos compensam os benefícios?
- Crossfit aumenta o risco de lesão?
- Tem alguma doença reumática? Então faça exercício físico!
- Esporte não é “saúde”...mas será que é “doença”?
- Como o exercício físico previne câncer de mama?
- Sobre a tara em se reduzir o dano muscular induzido pelo exercício...
- HIIT QUEIMA MAIS GORDURA DO QUE EXERCÍCIOS AERÓBIOS... OU NÃO!
- Exercícios aeróbios não matam, não engordam, e não causam diabetes
- Dano muscular e hipertrofia: será o fim do "no pain, no gain"?
- Quer dizer que a atividade física não funciona para reduzir o peso corporal? Hora de colocar alguns pingos nos “is”...
- O mito das dietas low-carb e o papel da insulina no emagrecimento
- A atividade física ideal!
- “Disseram que eu não posso fazer atividade física...”
- Quando devo aumentar a carga de treinamento?
- Esclarecimentos sobre “exercício aeróbio engorda” e “exercício aeróbio não emagrece”.
- Treinar em jejum: bom, ruim ou depende?
- Por que entramos em fadiga?
- Quanto maior a carga, maior o ganho de massa muscular...certo?! Ou não?
- HIIT - Treino Intervalado de Alta Intensidade, parte 2.
- HIIT - Treino Intervalado de Alta Intensidade
- Lactato: de causador da fadiga a aliado do desempenho.
- Queimar gordura somente após 20 minutos de aeróbio?
- Overtraining: O que, de fato, é isso?
- Percentual ou distribuição de gordura corporal: qual o melhor preditor de risco cardiovascular?
- Resposta hormonal ao exercício de força e aumento de massa muscular: Qual a relação entre eles?
- Cortar peso é prejudicial ao lutador?
- Treinamento de força com oclusão vascular: O que é e para quem serve?
- Quem faz musculação fica baixinho?
- Quando um gêmeo se exercita e o outro … não.
- Testes de DNA para detecção de talentos no esporte: cedo demais para ser verdade?
- 2 mitos sobre o uso “seguro” de esteroides anabolizantes
- CrossFit: os riscos compensam os benefícios?
- Treinamento intervalado para crianças: uma alternativa possível
- Ciência InForma responde: É importante variar os exercícios no treino de musculação?
- “Eu até tento, mas não “respondo” ao exercício...”
- Exercício em jejum: Fazer ou não fazer, eis a questão (Parte 3)
- Exercício em jejum: Fazer ou não fazer, eis a questão (Parte 2)
- O fisiculturismo como um estilo de vida saudável?
- Exercício em jejum: Fazer ou não fazer, eis a questão (Parte 1)
- Quando chega a "conta" do sedentarismo?
- Exercício sem dieta emagrece?
- Treinamento de força para todos
- Lactato: amigo ou vilão do desempenho?
- Sobre o milagre das pílulas do exercício



Busca

Receba Atualizações

Envia sua sugestão de temas


Nossos Colaboradores

Prof. Bruno Gualano, PhD
Prof. Associado da Universidade de São Paulo

Profa. Desire Coelho, PhD
Nutricionista Clínica e Esportiva

Profa. Fabiana Benatti, PhD
Pós-Doutora na Universidade de São Paulo (USP)

Prof. Guilherme Artioli, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo

Prof. Hamilton Roschel, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo