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05 de janeiro de 2015

Exercícios

“Eu até tento, mas não “respondo” ao exercício...”

Quantas vezes já ouvimos alguém dizendo que desistiu de tentar levar uma vida fisicamente ativa, pois não “respondia” ao exercício? Mas será que uma pessoa que se exercita pode ter uma “resposta” fisiológica simplesmente nula?


Muita gente (incluindo profissionais da área de saúde) acredita que algumas pessoas podem simplesmente não “responder” ao estímulo do exercício. De fato, há evidências que demonstram que a melhora na aptidão aeróbia (medida pelo consumo máximo de oxigênio, o famoso VO2max) em resposta a um programa de treinamento físico de longo prazo varia amplamente, de 0 a 100%. 


No entanto, é importante ressaltar que os efeitos da atividade física são sistêmicos, de modo que a “resposta” ao estímulo do exercício não pode ser interpretada de maneira binária, do tipo “este determinado indivíduo responde ao exercício, já aquele não”. Explico melhor: é possível que uma pessoa que pratica um programa de treinamento físico não sofra nenhum aumento no VO2max, mas apresente adaptações no músculo esquelético que favoreçam à capacidade oxidativa de substratos energéticos (via aumento na atividade de enzimas oxidativas ou no número de mitocôndrias, por exemplo).  Outro exemplo: um obeso passa por um programa de condicionamento físico e não perde massa corporal, porém tem aumentos no VO2max  e na massa livre de gordura. Poderíamos dizer, em ambos os casos, que não houve “resposta” ao exercício?  Evidentemente que não. 


Há de se reconhecer, porém, que há indivíduos mais ou menos “responsivos” ao exercício (de modo gradual, e não binário, como vimos no parágrafo anterior), por conta de questões genéticas. E mesmo para aqueles que possuem uma menor “resposta” ao exercício, há sempre uma saída. A esse propósito, um interessante estudo do Pennington Biomedical Research Center revelou que a prescrição de um programa com grande volume de treinamento (3 vezes superior ao habitual) reduzia a taxa de participantes que não apresentavam nenhum ou pouco aumento no VO2max de 43% para 15%. 


Moral da história: Em maior ou menor magnitude, com mais ou menos ênfase em um ou outro sistema, todos nós “respondemos” fisiologicamente ao exercício. E lembrem-se: o efeito do exercício respeita um comportamento conhecido como “dose-resposta”, ou seja, quanto maior o estímulo oferecido, maior o benefício observado. Isso significa que mesmo aquela gordurinha localizada que parece inabalável não resiste a um programa adequado de treinamento. Se ainda não estiver convencido disso, repare bem no biotipo de um maratonista. 


Até a próxima!


Bruno Gualano - Blog Ciência Informa


www.cienciainforma.com.br




Para conhecer mais sobre o tema, leia: 


Sisson, et al.  Volume of exercise and fitness nonresponse in sedentary, postmenopausal women. Med Sci Sports Exerc 41, 539–545, 2009.


Bouchard et al. Familial aggregation of VO(2max) response to exercise training: results from the HERITAGE Family Study. J Appl Physiol 87, 1003–1008, 1999.







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Nossos Colaboradores

Prof. Bruno Gualano, PhD
Prof. Associado da Universidade de São Paulo

Profa. Desire Coelho, PhD
Nutricionista Clínica e Esportiva

Profa. Fabiana Benatti, PhD
Pós-Doutora na Universidade de São Paulo (USP)

Prof. Guilherme Artioli, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo

Prof. Hamilton Roschel, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo