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29 de outubro de 2014

Exercícios

O fisiculturismo como um estilo de vida saudável?

O "fisiculturismo como estilo de vida" é a nova moda que promete a conquista do corpo perfeito, e que tem ganho um crescente número de adeptos. No entanto, os riscos associados a essa prática são diversos e precisam ser considerados.


Há poucos dias, li uma reportagem sobre o crescente número de adeptos a um novo "estilo de vida" supostamente saudável: o de fisiculturista! Mas será que o fisiculturismo é um "estilo de vida" a ser adotado por quem busca saúde e bem-estar?


Antes de tudo, é importante esclarecer que nem sempre o esporte é sinônimo de saúde, ao contrário do que diz o senso comum. Em muitos casos, o esporte está associado a uma carga de treinamento e competição excessiva ao organismo, elevados índices de lesão, estresse psicológico e práticas nutricionais extremas. Portanto, por trás de corpos atléticos, há uma rotina de preparação competitiva que pode não ser a mais saudável.


O fisiculturismo é um exemplo de modalidade esportiva que pode trazer prejuízos à saúde. Em primeiro lugar, as rotinas de treinamento às quais os atletas se submetem são extremamente intensas e os predispõem a lesões musculares e articulares. Obviamente, o praticante de atividade física que se aventura no fisiculturismo sem preparo físico e descanso adequados também estará exposto a esse risco.


Em segundo lugar, ao contrário do que sugere a figura musculosa do fisiculturista, a dieta seguida pelos fisiculturistas é pouco balanceada. A crença de que alguns alimentos são nocivos à definição muscular (o leite é um bom exemplo) em combinação à necessidade de se perseguir valores baixíssimos de gordura corporal fazem com que esses atletas adotem dietas extremamente restritivas que podem desencadear transtornos alimentares. De fato, a exemplo do que acontece na anorexia e bulimia, a prática do fisiculturismo está associada a uma alta insatisfação com a imagem corporal e a comportamentos obsessivos, sobretudo em atletas iniciantes.   


Por fim, é preciso reconhecer que 10 em cada 10 atletas fisiculturistas fazem ou já fizeram uso de esteroides anabolizantes, cujos efeitos adversos à saúde são inegavelmente graves. Tenham certeza que muitas das (sub)celebridades adeptas ao "fisiculturismo como estilo de vida", que ostentam "selfies saradas" em suas mídias sociais, fazem uso de substâncias ilícitas para alcançarem seus objetivos estéticos (voltaremos a este tópico em algumas outras oportunidades, diante do crescente uso abusivo dessas substâncias). 


Considerando o conjunto de práticas que envolve o fisiculturismo, não vejo como a adoção dessa modalidade como "estilo de vida" possa ser considerável saudável. Cabe lembrar que é função do bom profissional da área da saúde orientar seus alunos/pacientes sobre os benefícios e riscos inerentes às dietas e aos treinamentos "ideais" que surgem de tempos em tempos, sempre com olhar crítico e científico, e nunca ao sabor dos modismos. 

Bruno Gualano - Blog Ciência Informa

www.cienciainforma.com.br




Para saber mais sobre o tema, leia:


Jankauskiene R et al.  Muscle size satisfaction and predisposition for a health harmful practice in bodybuilders and recreational gymnasium users. Medicina (Kaunas) 2007, 43:338–346.


Andersen RE et al. Weight loss, psychological, and nutritional patterns in competitive male body builders. Int J Eat Disord 1995, 18:49–57.


Darke S et al. Sudden or unnatural deaths involving anabolic-androgenic steroids. J Forensic Sci. 2014 Jul;59(4):1025-8. 









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Nossos Colaboradores

Prof. Bruno Gualano, PhD
Prof. Associado da Universidade de São Paulo

Profa. Desire Coelho, PhD
Nutricionista Clínica e Esportiva

Profa. Fabiana Benatti, PhD
Pós-Doutora na Universidade de São Paulo (USP)

Prof. Guilherme Artioli, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo

Prof. Hamilton Roschel, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo