Home Nutrição Exercícios Saúde Quem Somos A que viemos Contato

20 de fevereiro de 2017

Exercícios

Como o exercício físico previne câncer de mama?

Há cerca de um ano, escrevi um post sobre um estudo dinamarquês que mostrava que o exercício aeróbio era capaz de diminuir a incidência e o tamanho de tumores em ratinhos inoculados com células cancegírenas. Agora, em um recente estudo, este mesmo grupo mostrou que, pelo menos no câncer de mama, os efeitos do exercício físico parecem ser agudos e não crônicos; isto é, os efeitos “anti-câncer” parecem ocorrer após cada sessão de exercício. Como eles descobriram isso? Explico no post de hoje.


Muitas são as evidências que sugerem que o exercício físico, de alguma forma, parece ser capaz de prevenir a progressão do câncer de mama. Estudos epidemiológicos, por exemplo, mostram que a prática regular de exercício físico protege contra o desenvolvimento de câncer de mama. Além disso, pacientes que sobrevivem ao câncer de mama e se mantêm fisicamente ativos têm 30 a 50% menos chances de recidiva e de morrer por essa doença.

Apesar disso, pouco se sabe sobre como o exercício pode interferir no desenvolvimento do câncer de mama. De modo a explorar esse tema, Dethlefsen e co-autores fizeram o seguinte estudo:

Pacientes sobreviventes ao câncer de mama participaram de um treinamento físico de seis meses (treinamento supervisionado uma vez por semana – aeróbio intervalado de alta intensidade e exercícios de força + duas horas por semana de exercícios em casa) ou apenas de uma sessão aguda de exercício físico (30 min de aquecimento + 60 min de exercícios de força + 30 min de exercício aeróbio intervalado de alta intensidade). Os autores, então, coletaram o sangue dos pacientes pertencentes aos dois grupos (antes e após o treinamento e antes e após a sessão aguda de exercício) e incubaram células de linhagem de câncer de mama de humanos com este sangue; isto é, colocaram essas células em um meio junto com o sangue dos pacientes. Sabemos que uma sessão aguda de exercício físico ou um período de treinamento físico são capazes de alterar a presença e/ou a concentração de fatores sistêmicos, como hormônios, enzimas, etc. Logo, o objetivo do estudo era observar como o sangue destes pacientes (e, portanto, como os fatores sistêmicos alterados pelo exercício agudo ou crônico) impactaria o desenvolvimento dessas células tumorais.

Os resultados mostraram que o sangue dos pacientes submetidos a 6 meses de treinamento não teve qualquer impacto sobre a viabilidade das células tumorais. Em contrapartida, o sangue dos pacientes submetidos a 2 h de exercício físico levou à diminuição da viabilidade (ou seja, do crescimento) das células tumorais em 10%.

Isso quer dizer que apesar do treinamento físico ser capaz de levar ao aumento da capacidade física, diminuição da gordura corporal e da inflamação sistêmica (todos fatores de risco para a progressão do câncer de mama), parecem ser as alterações agudas no metabolismo, induzidas por cada sessão de exercício físico (como aumento do lactato e catecolaminas, por exemplo), as responsáveis por mediar o chamado efeito “anti-câncer” do exercício.   

A figura abaixo, retirada do próprio artigo, sugere exatamente isso: que são os efeitos acumulados após cada sessão de exercício físico que podem, em longo prazo, reduzir a incidência e a progressão do câncer de mama.





Dessa forma, parece que, para nos beneficiarmos dos efeitos “anti-câncer” do exercício físico, a chave é fazer exercícios físicos regularmente. Cada sessão de exercício é importante!

Até a próxima!

Fabiana Benatti - Blog Ciência InForma

wwww.cienciainforma.com.br

Para saber mais:

Dethlefsen C, Lillelund C, Midtgaard J, Andersen C, Pedersen BK, Christensen JF, Hojman P. Exercise regulates breast cancer cell viability: systemic training adaptations versus acute exercise responses. Breast Cancer Res Treat. 2016 Oct;159(3):469-79.

Dethlefsen C, Pedersen KS, Hojman P. Every exercise bout matters: linking systemic exercise responses to breast cancer control. Breast Cancer Res Treat. 2017 Jan 30.







Comentários

Veja também


- Crossfit aumenta o risco de lesão?
- Tem alguma doença reumática? Então faça exercício físico!
- Esporte não é “saúde”...mas será que é “doença”?
- Como o exercício físico previne câncer de mama?
- Sobre a tara em se reduzir o dano muscular induzido pelo exercício...
- HIIT QUEIMA MAIS GORDURA DO QUE EXERCÍCIOS AERÓBIOS... OU NÃO!
- Exercícios aeróbios não matam, não engordam, e não causam diabetes
- Dano muscular e hipertrofia: será o fim do "no pain, no gain"?
- Quer dizer que a atividade física não funciona para reduzir o peso corporal? Hora de colocar alguns pingos nos “is”...
- O mito das dietas low-carb e o papel da insulina no emagrecimento
- A atividade física ideal!
- “Disseram que eu não posso fazer atividade física...”
- Quando devo aumentar a carga de treinamento?
- Esclarecimentos sobre “exercício aeróbio engorda” e “exercício aeróbio não emagrece”.
- Treinar em jejum: bom, ruim ou depende?
- Por que entramos em fadiga?
- Quanto maior a carga, maior o ganho de massa muscular...certo?! Ou não?
- HIIT - Treino Intervalado de Alta Intensidade, parte 2.
- HIIT - Treino Intervalado de Alta Intensidade
- Lactato: de causador da fadiga a aliado do desempenho.
- Queimar gordura somente após 20 minutos de aeróbio?
- Overtraining: O que, de fato, é isso?
- Percentual ou distribuição de gordura corporal: qual o melhor preditor de risco cardiovascular?
- Resposta hormonal ao exercício de força e aumento de massa muscular: Qual a relação entre eles?
- Cortar peso é prejudicial ao lutador?
- Treinamento de força com oclusão vascular: O que é e para quem serve?
- Quem faz musculação fica baixinho?
- Quando um gêmeo se exercita e o outro … não.
- Testes de DNA para detecção de talentos no esporte: cedo demais para ser verdade?
- 2 mitos sobre o uso “seguro” de esteroides anabolizantes
- CrossFit: os riscos compensam os benefícios?
- Treinamento intervalado para crianças: uma alternativa possível
- Ciência InForma responde: É importante variar os exercícios no treino de musculação?
- “Eu até tento, mas não “respondo” ao exercício...”
- Exercício em jejum: Fazer ou não fazer, eis a questão (Parte 3)
- Exercício em jejum: Fazer ou não fazer, eis a questão (Parte 2)
- O fisiculturismo como um estilo de vida saudável?
- Exercício em jejum: Fazer ou não fazer, eis a questão (Parte 1)
- Quando chega a "conta" do sedentarismo?
- Exercício sem dieta emagrece?
- Treinamento de força para todos
- Lactato: amigo ou vilão do desempenho?
- Sobre o milagre das pílulas do exercício



Busca

Receba Atualizações

Envia sua sugestão de temas


Nossos Colaboradores

Prof. Bruno Gualano, PhD
Prof. Associado da Universidade de São Paulo

Profa. Desire Coelho, PhD
Nutricionista Clínica e Esportiva

Profa. Fabiana Benatti, PhD
Pós-Doutora na Universidade de São Paulo (USP)

Prof. Guilherme Artioli, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo

Prof. Hamilton Roschel, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo