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22 de junho de 2015

Vida e Saúde

Fugindo do sedentarismo no ambiente de trabalho

Trabalhadores “de escritório” costumam passar 65-75% do dia sentados. Em especial, preocupa o fato de que ocupações sedentárias, como a de motoristas e atendentes, aumentam as chances de mortalidade prematura. A boa notícia? Não é nada difícil combatermos o sedentarismo no ambiente de trabalho e, assim, melhorarmos a saúde dos trabalhadores. Leia o texto e descubra como!


Estimativas conservadoras indicam que 70% das pessoas não atingem o nível mínimo de atividade física recomendado para manutenção da saúde. Nos últimos 50 anos, os grandes vilões do comportamento sedentário foram: 1) a redução de locomoção de forma ativa, como meio de transporte (ex.: caminhada, ciclismo); 2) o aumento de atividades de lazer em casa, assistindo à TV e operando computadores; e 3) a diminuição dos trabalhos manuais, em detrimento dos informatizados e técnicos. Esse tipo de trabalho “moderno” representou uma redução de aproximadamente 20% (175 Kcal) do gasto energético diário, desde os 60. Atualmente, há bons estudos associando o trabalho “de escritório” com riscos aumentados de morbidades (ex.: hipertensão, depressão, ansiedade, estresse crônico, diabetes, osteoporose) e mortalidade. Diante disso, torna-se fundamental a implementação de medidas ergonômicas e comportamentais que permitam a redução do tempo sedentário no ambiente de trabalho. 



Recentemente, um grupo de pesquisadores comissionado pela agência inglesa de saúde pública produziu um interessante artigo com recomendações práticas, baseadas em evidências científicas, com o intuito de reduzir o tempo inativo no posto de trabalho.  Dentre as recomendações, destacam-se:




  1. Acúmulo de, ao menos, 2 horas por dia em pé e de caminhada leve durante o tempo de trabalho, com progressão para 4 horas por dia;

  2. Interrupção de períodos de trabalho sentado com a adição de períodos de trabalho em pé (e vice-versa). Para tanto, as empresas são encorajadas a adquirirem estações de trabalho ajustáveis ao trabalho em pé e sentado (como esta, por exemplo). 

  3. Evitar períodos prolongados em posição estática, sentado ou em pé, a fim de evitar dores articulares ou musculares. Em tempo, as atividades físicas ocupacionais, tais como levantar e caminhar, podem aliviar essas dores. 

  4. Avaliar possíveis (embora improváveis) desconfortos associados com a adoção das práticas físicas ocupacionais, tais como fadiga ou “incômodo” muscular, típicos de quem se inicia em um novo programa de atividade física.   

  5. Implementação de outras estratégias de promoção de saúde, como, por exemplo, orientação dietética, redução do consumo de álcool e cigarro e diminuição do estresse.    



O engajamento em programas de atividade física supervisionada é um grande desafio e, muitas vezes, demanda mudanças comportamentais consideráveis. Não à toa, os índices de inatividade física são crescentes e alarmantes. Contudo, estudos recentes sugerem que pequenas mudanças no ambiente do trabalho, como as citadas neste post, são capazes de melhorar dores lombares, reduzir as concentrações de glicose e insulina no sangue, atenuar o acúmulo de gordura nas vísceras, aumentar a função muscular e diminuir a fadiga em trabalhadores. Esse pode ser, portanto, um primeiro (e decisivo) passo em direção a um estilo de vida mais ativo e, consequentemente, mais saudável. Estima-se, atualmente, que 90% dos trabalhadores de “escritório” da Escandinávia possuem acesso a estações de trabalho ajustáveis ao trabalho em pé e sentado. Esperemos que essa realidade, um dia, chegue ao Brasil...não sentados, é lógico! 



 



Até a próxima!  



Bruno Gualano - Blog Ciência inForma



www.cienciainforma.com.br



Para conhecer mais sobre o tema, leia: 



Buckley JP, Hedge A, Yates T, et al. The sedentary office: a growing case for change towards better health and productivity. Expert statement commissioned by Public Health England and the Active Working Community Interest Company. Br J Sports Med (in press).







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Prof. Bruno Gualano, PhD
Prof. Associado da Universidade de São Paulo

Profa. Desire Coelho, PhD
Nutricionista Clínica e Esportiva

Profa. Fabiana Benatti, PhD
Pós-Doutora na Universidade de São Paulo (USP)

Prof. Guilherme Artioli, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo

Prof. Hamilton Roschel, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo