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02 de agosto de 2017

Vida e Saúde

Constipação: muito além da fibra e água!

Um estudo verificou que os mamíferos demoram em média 12 segundos para evacuar incluindo nossos antepassados, os primatas. Ou seja, nosso tempo deveria estar nessa média. Se você demora muito mais do que isso e tem muita dificuldade para evacuar, esse texto é para você!


Como saber se tenho um hábito intestinal saudável?



Atualmente, muitas vezes as pessoas demoram para evacuar pois levam muitas distrações ao banheiro ao invés de colocar sua atenção apenas na tarefa principal. Outro fator que pode dificultar o movimento intestinal é a depressão e o hipotireoidismo descontrolado, ambos os casos diminuem a motilidade intestinal e, consequentemente, a formação e eliminação do bolo fecal. Mas se você não possui nenhum deles e mesmo com toda sua determinação ainda tem muita dificuldade em evacuar, você provavelmente sofre de constipação.



Assim como muitas outras funções em nosso organismo, o hábito intestinal também sofre influência do sono desregulado, alimentação alterada (viagens e final de semana), uso de medicamentos e estado emocional. Deste modo, é normal o “intestino soltar ou prender” ocasionalmente. Como muitas pessoas focam mais quando algo sai do normal, avalie como é o seu hábito intestino na maior parte do tempo.



   Para começar é importante deixar claro que não existe um ideal de frequência, mas algo entre 3 vezes ao dia até evacuar dia sim, dia não, pode ser considerado normal. Porém, se a pessoa fica com frequência mais de dois dias sem evacuar e ao se sentar demora muito, mesmo estando concentrada na tarefa, e precisa fazer força, às vezes muita força, isso pode ser sinal de constipação.



Quem sofre com esse problema sempre recebe as orientações mais básicas: aumente o consumo de alimentos fonte de fibras e tome mais água. Apesar de fundamentais, saiba que tem outros três fatores que podem ajudar muito seu hábito intestinal:




  1. Exercício físico regular: durante sua prática são liberados alguns hormônios que estimulam a motilidade intestinal, dentre os quais a adrenalina é um dos mais importantes. Se o exercício for uma caminhada ou corrida o efeito laxativo será ainda maior, pois o próprio impacto mecânico da pessoa com o solo estimula uma maior formação do bolo fecal na porção final do intestino estimulando, consequentemente, sua eliminação;

  2. Apoiar os pés em um banquinho no momento da evacuação: nosso organismo evoluiu durante milhares de anos evacuando de cócoras e todo nosso intestino foi adaptado para isso. Ao introduzirmos o vaso sanitário, ficamos na posição sentada o que faz com que a porção final do intestino, o reto, fique parcialmente ocluído pelo músculo puborretal, dificultando a evacuação (veja figura do post). Ao apoiar os pós e inclinar o tronco levemente para a frente, essa porção fica liberada e a evacuação facilitada (veja a imagem abaixo ou assista à esse vídeo aqui para entender melhor). Funciona muito, experimente!         

  3. Disponibilidade: Apesar das dicas anteriores serem importantes, com frequência vejo em minha prática clínica que é esse último item que causa mais problema... Deixe seu intestino funcionar quando ele sinalizar! Pouco adianta fazer tudo certinho se você frequentemente inibe a vontade de evacuar. Isso ocorre principalmente com as mulheres, que querem não apenas o banheiro de sua casa, mas também que todos os santos e planetas estejam perfeitamente alinhados para ela não ter vergonha de evacuar. Sabe qual o problema disso? Na parte final do intestino ocorre a reabsorção de água. Isso significa que quanto mais tempo as fezes permanecerem lá, mais ressecadas ficam. Logo, é fácil concluir que mais difícil será evacuar.



E qual o problema de não ter um hábito intestinal saudável?



Além do mau-humor por estar literalmente enfezado a constipação pode trazer outros problemas. Pode facilitar o aparecimento de hemorroidas e até mesmo de câncer colorretal. Além disso, é no intestino que absorvemos praticamente tudo o que comemos. Lá estão presentes grande parte das bactérias do nosso corpo, nossa microbiota intestinal (para saber mais sobre microbiota, assista ao nosso vídeo aqui). Um intestino muito ativo (solto) ou preso (constipado) pode alterar a absorção de nutrientes e a população de bactérias ali presentes, evoluindo para uma disbiose e  hiperpermeabilidade intestinal. Nesse caso, o intestino perdeu parte de sua capacidade de selecionar o que pode ser absorvido pelo nosso corpo e o que deve ser eliminado nas fezes, absorvendo substâncias indesejadas e estimulando toda uma cadeia de resposta imunológica e inflamatória que está associada à diversas doenças como obesidade, alguns tipos câncer, esteatose hepática não-alcoólica e diabetes. Sim, ficar prendendo o intestino não te deixará apenas enfezado, de mau-humor, pode te deixar doente.



Por isso, se você se preocupa com sua saúde fique atento e garanta um bom hábito intestinal com uma boa alimentação e, acima de tudo, respeitando seu intestino! Ah, e se você acha que os laxantes são uma alternativa, ledo engano. Seu uso crônico pode prejudicar ainda mais. Mas esse é o tema do próximo post!



Desire Coelho - Blog Ciência InForma



www.cienciainforma.com.br



Para saber mais:



Yang et al. Hydrodynamics of defecation. Soft Matter. 2017 Jul 26;13(29):4960-4970. 



Oettlé. Effect of moderate exercise on bowel habit. Gut. 1991 Aug; 32(8): 941–944.  



Dukas et al. Association between physical activity, fiber intake, and other lifestyle variables and constipation in a study of women. The American Journal of Gastroenterology (2003) 98, 1790



Sikirov D. Comparison of straining during defecation in three positions: results and implications for human health. Dig Dis Sci. 2003 Jul;48(7):1201-5.







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Prof. Associado da Universidade de São Paulo

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Nutricionista Clínica e Esportiva

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Pós-Doutora na Universidade de São Paulo (USP)

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Prof. Dr. da Universidade de São Paulo

Prof. Hamilton Roschel, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo