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30 de maio de 2016

Vida e Saúde

Transtornos alimentares: O que o profissional de Educação Física tem a ver com isso?

Os transtornos alimentares são cada vez mais comuns e trazem graves riscos à saúde. Por isso, nutricionistas, médicos, psicólogos e enfermeiros têm buscado capacitação profissional para melhor atender os pacientes que sofrem desses distúrbios. Será que o profissional de Educação Física também poderia contribuir de alguma forma?


Transtornos alimentares podem ser definidos como comportamentos alimentares capazes de causar grave prejuízo à saúde de um indivíduo. Os mais conhecidos são a anorexia nervosa e a bulimia nervosa, bem como asformas atípicas (ou parciais) desses distúrbios, que não fecham o diagnóstico completo, dentre as quais se destaca o transtorno da compulsão alimentar periódica



Em outros posts, nossa turma do Ciência inForma discutirá com mais detalhes os sintomas, os critérios diagnósticos, as novas formas de compulsões associadas à alimentação e à imagem corporal, e os melhores tratamentomultidisciplinares. Neste post, pretendo realizar uma breve reflexão sobre o papel do profissional de Educação Física na prevenção dos transtornos alimentares. 



A busca incessante pelo “corpo ideal” é um fator que estimula comportamentos alimentares potencialmente perigosos, tais como dietas altamente restritivas e exercícios físicos em excesso. A mídia e as indústrias da moda e da estética“vendem” corpos inatingíveis como sinônimos de saúde e beleza, e por isso contribuem negativamente para o crescimento de casos de comportamentos alimentares transtornados. 



Como o profissional de Educação Física atua diretamente no mundo fitness – templo da estética e, por isso, ambiente propício para o desenvolvimento de transtornos alimentares – supõe-se que sua ação possa ser útil para prevenir esses distúrbios. 



Na prática, infelizmente, o profissional de Educação Física age, geralmenteestimulando comportamentos pouco saudáveis. Por exemplo, nenhuma aluna que solicita ao profissional da área uma recomendação de treinamento para “secar” – mesmo com aparente baixo peso – deixa de receber uma prescrição de emagrecimento, cheia de exercícios complexos e intensos



Muitos alunos ainda são atraídos pelo profissional de Educação Física tipo “general”, que faz do exercício uma justa pena para os eventuais “pecados” cometidos na alimentação. Esse profissional acredita piamente que o controle de peso corporal resulta da simples razão entre o que se come e o que se gasta, e por isso rebaixa o movimento corporal a um mero instrumento capaz de eliminar calorias indesejadas. Esse raciocínio simplista (e equivocado) estigmatiza o exercício como uma mera purga aos “excessos” alimentares. É isso mesmo que você está imaginando: romantismos à parte, no contexto dos transtornos alimentares, o exercício pode ser tão nobre quanto o vômito...



O profissional de Educação Física convive com o aluno cotidianamente, e por isso tem a oportunidade de identificar alguns comportamentos de risco para transtornos alimentares, como, por exemplo, treinar em jejum por razões estéticas, pular refeições ou usar substitutos de alimentos. Em casos como esses, duas ações centrais devem ser tomadas: (1) recomendar que o aluno busque orientação de especialistas; e (2) evitar exercícios em excesso, que podem ser potencialmente perigosos a alguém nutricionalmente debilitado. Tão importante quanto essas duas medidas é jamais trabalhar com expectativas estéticas inatingíveis, que podem ser a porta de entrada para transtornos alimentares e de imagem corporal.  



É fundamental que o profissional de Educação Física saia do piloto automático e não se permita atuar como um mero instrumento de promoção de “corpos ideais. Procure especializações*, pois os cursos de graduação, de fato, são insuficientes para capacitar o profissional a lidar com transtornos alimentares. Na dúvida, busque especialistas de outras áreas que possam orientar sobre a melhor forma de intervir. Por fim, não atue ao sabor dos modismos, e lembre-se que o profissional da Educação Física é, antes de tudo, um educador e um agente de saúde, não um esteticista. 



Voltaremos a falar sobre esse importante tema no futuro



Até a próxima!



Bruno Gualano



*recomendo fortemente os cursos do Programa de Transtornos Alimentares do IPq (Ambulim, do Hospital das Clínicas da USP)



Para saber mais sobre o tema:



American Dietetic Association (ADA). Position of the American Dietetic Association: nutrition intervention in the treatment of anorexia nervosa, bulimia nervosa, and other eating disorders. J Am Diet Assoc. 2006;106:2073-82.



Alvarenga MS, Scagliusi FB, Philippi ST. Comportamento de risco para transtorno alimentar em universitárias brasileiras. Rev Psiq Clín. 2011;38(1):3-7.



Alvarenga MS, Dunker KLL, Philippi ST, Scagliusi FB. Influência da mídia em universitárias brasileiras de diferentes regiões. J Bras Psiquiatr. 2010;59(2):111-8.



 







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Nossos Colaboradores

Prof. Bruno Gualano, PhD
Prof. Associado da Universidade de São Paulo

Profa. Desire Coelho, PhD
Nutricionista Clínica e Esportiva

Profa. Fabiana Benatti, PhD
Pós-Doutora na Universidade de São Paulo (USP)

Prof. Guilherme Artioli, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo

Prof. Hamilton Roschel, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo