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28 de janeiro de 2016

Vida e Saúde

Fisicamente Ativo vs Sedentário

Vamos supor que você frequente a academia de ginástica de 3 a 5 vezes por semana. No entanto, você é um trabalhador de escritório que passa a maior parte do dia sentado atrás de uma mesa e, em casa, seu locar favorito é o sofá, assistindo à TV. Como você se definiria: fisicamente ativo, sedentário ou ambos? A resposta, no post de hoje.


Nos dias atuais, é muito comum sobrar pouco tempo para nosso lazer, e as oportunidades para realizar atividade física cada vez mais rareiam. Muita gente com medo dos males da inatividade física trata de se matricular numa academia de ginástica, frequentando-a algumas vezes por semana. A sensação é de dever cumprido, afinal, ao cumprir a meta de 150 minutos por semana de atividade moderada ou vigorosa, a pessoa entra no seleto hall de indivíduos fisicamente ativos. Mas será que atingir as metas mínimas de atividade física moderada à vigorosa basta para garantir uma saúde de ferro? 



Antes de responder a essa pergunta, é necessário entender o que significa ser sedentário e fisicamente inativo aos olhos da ciência. O primeiro termo remete ao indivíduo que gasta pouca energia ao longo do dia, especialmente sentado ou deitado. Já o segundo diz respeito à incapacidade de se atingir níveis suficientes de atividades moderadas ou vigoras, de acordo com as recomendações de especialistas. Na prática, portanto, é possível ser, ao mesmo tempo, fisicamente ativo e sedentário. 



E isso não é nada bom. Estudos recentes sugerem que o excesso de comportamento sedentário prejudica a saúde cardiovascular e predispõe à mortalidade independentemente do tempo gasto em atividades físicas moderadas e intensas. Além disso, há evidências de que uma sessão de atividade física de moderada à alta intensidade não é capaz de anular os danos provocados por um gasto excessivo de tempo sentado (vejam a excelente revisão da Fabi sobre o tema na lista de referências abaixo). Ser fisicamente ativo e sedentário seria como, por analogia, dar uma bela corridinha em um arborizado parque ao mesmo tempo que traga um cigarro. Ou seja, uma contraposição de um comportamento saudável a outro nocivo. 



Não há dúvidas de que ser fisicamente ativo é melhor do que não o ser, e mesmo reduções pequenas no comportamento sedentário parecem surtir efeito, ainda que em indivíduos insuficientes ativos. No entanto, atrelar a prática de atividade física regular de acordo com as recomendações vigentes e, concomitantemente, evitar atividades sedentárias por longos períodos são medidas que podem conferir ganhos adicionais à saúde. Portanto, evite ser fisicamente inativo e sedentário. Preferencialmente, ambos!     



 



Até a próxima!  



Bruno Gualano - Blog Ciência inForma



www.cienciainforma.com.br



Para conhecer mais sobre o tema, leia: 



Healy, G.N., Dunstan, D.W., Salmon, J., Shaw, J.E., Zimmet, P.Z., and Owen, N. 2008. Television time and continuous metabolic risk in physically active adults. Med. Sci. Sports Exerc. 40 (4): 639 - 645.



Katzmarzyk, P.T., Church, T.S., Craig, C.L., and Bouchard, C. 2009. Sitting time and mortality from all causes, cardiovascular disease, and cancer. Med. Sci. Sports Exerc. 41 (5): 998–1005. 



Sedentary Behaviour Research Network. 2012. Letter to the Editor: Standardized use of the terms “sedentary” and “sedentary behaviours”. Appl. Physiol. Nutr. Metab. 37 : 540 –542.



Benatti FB, Ried-Larsen M. 2015. The Effects of Breaking up Prolonged Sitting Time: A Review of Experimental Studies. Med Sci Sports Exerc. 47(10):2053-61.







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Prof. Bruno Gualano, PhD
Prof. Associado da Universidade de São Paulo

Profa. Desire Coelho, PhD
Nutricionista Clínica e Esportiva

Profa. Fabiana Benatti, PhD
Pós-Doutora na Universidade de São Paulo (USP)

Prof. Guilherme Artioli, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo

Prof. Hamilton Roschel, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo