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07 de julho de 2016

Vida e Saúde

“Tratamento” medicamentoso para perda de peso.

Uma revisão sistemática e meta-análise de 28 estudos com mais de 29 mil pacientes publicada este mês na conceituada revista científica JAMA avaliou a eficácia e os efeitos adversos dos cinco medicamentos aprovados para o tratamento da obesidade: orlistat, lorcaserina, naltrexona + bupropiona, pentamina + topiramato e liraglutida.Quer saber qual o melhor?


Cientificamente, o “tratamento da obesidade” é considerado de sucesso quando leva a perdas de pelo menos 10% do peso corporal. Nessa revisão,  foi observado que enquanto 9% das pessoas do grupo placebo conseguiam atingir essa perda, 54% das pessoas que consumiram pentamina + topiramato atingiram essa meta. Já nos demais medicamentos a taxa de sucesso variou entre 20 à 34%.



A imagem do post é uma tabela adaptadai do artigo. Nela, podemos observar a média da perda de peso, em quilos, depois de um ano de tratamento. Os medicamentos com maiores perdas foram: Topiramato, Liraglituda e Bupropiona. Os dois últimos também são os que apresentaram maior frequência de interrupção do tratamento por efeitos adversos, que incluíram hipoglicemia, complicações cardiovasculares, diverticulite, colecistite (inflamação da vesícula biliar), colelitíase (pedra na vesícula), pancreatite, entre outras.



Parando a análise por aqui, poderíamos ter a impressão única de que os medicamento parecem, de fato, efetivos para a perda de peso. Mas, analisando mais criticamente os dados da tabela, vemos que a média de perda de peso depois de 1 ano de tratamento foi de 4,9kg! Um ano inteiro tomando remédio e, o pior, com muitos efeitos adversos reportados! Em uma conta rápida, isso significa uma perda de 400g por mês! Resultado que pode ser conseguido com outros métodos que, ao contrário dos remédios, não possuem qualquer contra-indicação, seja através da atividade física (cujos efeitos vão muito além da perda de peso - tema recorrente aqui no blog) ou de uma alimentação mais saudável que respeite as necessidades, preferências e limites de cada pessoa (e não mais uma “receitinha de bolo”).



Além disso, é importante ressaltar que medir sucesso de intervenção através do peso corporal é extremamente superficial. Os efeitos de qualquer intervenção na composição corporal são muito mais relevantes (leia mais sobre esse tema aqui)!Por isso, o ideal é comparar a composição corporal mas, infelizmente, muitos estudos não apresentam esses dados! Por isso, é fundamental entender a limitação de cada estudo antes de simplesmente extrapolar seus resultados. E, depois dessa breve análise do estudo publicado, você acha que tomar remédios para perda de peso realmente vale à pena?



Desire Coelho – Blog Ciência InForma

www.cienciainforma.com.br

Para saber mais:

Khera et al. Association of Pharmacological Treatments for Obesity With Weight Loss and Adverse Events: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA. 2016 Jun 14;315(22):2424-34



 







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