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2018-03-08

Nutrição

Dietas veganas e deficiências nutricionais: será mesmo?

Dietas vegetarianas têm crescido em popularidade. Embora elas estejam associadas a múltiplos benefícios à saúde, é ponto de debate a consideração acerca dos efeitos da eliminação completa de qualquer alimento derivado de fontes animais da dieta, os quais podem, por vezes, implicar em deficiências nutricionais importantes. O post de hoje discute as “possíveis” implicações do vegetarianismo (em particular do veganismo).


Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira, o vegetarianismo pode ser geralmente classificado em: ovolactovegetarianismo, que inclui o consumo de ovos leite e derivados e vegetarianismo estrito, que exclui o consumo de qualquer alimento de origem animal. Há variantes como o lacto e o ovovegetarianismo, os quais incluem em suas dietas leite e derivados ou ovos na sua alimentação, respectivamente. Embora o termo se refira a um posicionamento filosófico, há, ainda, o veganismo, que adota o vegetarianismo estrito como hábito alimentar; assim, a dieta vegana tem sido comumente reconhecida pela ausência de qualquer alimento de origem animal. Seja por fatores ideológicos ligados à ética no manejo animal, à sustentabilidade ambiental na agropecuária ou pelo crescente interesse em um estilo “saudável” de alimentação, entre outros, é fato que o vegetarianismo estrito/veganismo tem se tornado mais popular a cada dia.



Em paralelo, observa-se um crescente interesse científico pela temática, com múltiplos trabalhos dedicados a avaliar o estado nutricional deste tipo de dieta. Em conjunto, a literatura parece apontar que uma dieta vegana bem planejada é absolutamente capaz de fornecer todos os nutrientes em quantidades adequadas para uma boa saúde, com reflexos positivos sobre alguns parâmetros relacionados à saúde, como IMC, colesterolemia e pressão arterial, por exemplo (embora a literatura seja mais assertiva acerca do vegetarianismo, em relação às dietas veganas ainda são necessários estudos prospectivos mais conclusivos a respeito de seus efeitos sobre parâmetros importantes, como incidência de doenças crônicas e mortalidade). Contudo, obter uma dieta equilibrada frente a restrições alimentares importantes, como as relacionadas ao veganismo, nem sempre é facilmente atingível; assim, se por outro lado dietas veganas parecem fornecer mais fibras e alguns micronutrientes, como magnésio, vitaminas C e E, além de serem menos calóricas e conterem menos gorduras saturadas e colesterol, elas são normalmente insuficientes em nutrientes importantes para nosso organismo.



Vários estudos tentaram traçar o estado nutricional de seus adeptos. Entre as deficiências nutricionais mais importantes destacam-se o consumo marginal de vitaminas D e B12, além de baixos níveis de cálcio, zinco e ômega-3. Além da (possível) inadequação na oferta de micronutrientes, discute-se se o aporte proteico poderia ser negativamente afetado por uma dieta vegana, com potenciais repercussões sobre a massa muscular (este, no entanto, será assunto de um vídeo a ser veiculado nas próximas semanas, acompanhem).



O aspecto mais relevante desta discussão é, talvez, entender o problema sob o ponto de vista clínico. Não é discutível se uma dieta vegana é capaz de atender as demandas nutricionais de um indivíduo comum. Entretanto, é razoável considerarmos que um processo de educação nutricional é necessário para tal. Uma vez que alimentos típicos deste tipo de dieta são, por vezes, menos caloricamente densos, por exemplo, um bom planejamento nutricional se torna a base de uma dieta vegana nutricionalmente adequada. Claro que este princípio vale para qualquer dieta (assim como é claro que deficiências nutricionais podem ser encontradas em qualquer tipo de dieta desequilibrada, seja ela onívora ou vegetariana), mas esta parece ser uma preocupação particularmente relevante para aqueles adeptos ao vegetarianismo estrito. Cabe também destacar que, na grande maioria dos casos, possíveis inadequações nutricionais oriundas de uma dieta vegana desbalanceada não incorrem em manifestações clínicas em curto prazo. Assim, um acompanhamento nutricional no início do processo de adoção deste tipo de dieta é ainda mais importante, garantindo ajustes que poderão evitar comprometimentos da saúde do indivíduo. Por fim, é ainda um ponto de discussão atual se dietas vegetarianas estritas/veganas poderiam ser insuficientes para praticamente de atividades físicas/atletas, com possível comprometimento para o rendimento físico destes, mas este é um assunto para um próximo post.



Até a próxima!



Prof. Dr. Hamilton Roschel







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Nossos Colaboradores

Prof. Bruno Gualano, PhD
Prof. Associado da Universidade de São Paulo

Profa. Desire Coelho, PhD
Nutricionista Clínica e Esportiva

Profa. Fabiana Benatti, PhD
Professora Doutora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp

Prof. Guilherme Artioli, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo

Prof. Hamilton Roschel, PhD
Prof. Dr. da Universidade de São Paulo